Sobre


N ão chegou a 10 a quantidade de notícias na mídia local sobre o Presídio Regional de Joinville e sobre as mulheres presidiárias que vivem lá, ao longo do primeiro semestre de 2019. Foram pautas, principalmente, sobre superlotação. No entanto, nenhuma das matérias entrevistou presas. O lado delas não foi ouvido.

A ideia de pauta veio de um amigo. Entre meus desabafos sobre incertezas, xícaras de café e inseguranças confessadas, ele me contou que o presídio feminino não ficaria pronto até o final do ano e engatou a pergunta “por que você não vai lá escutar essas mulheres?”.

Quando comecei as orientações deste projeto experimental, no final de julho de 2019, sugeri a pauta para a minha orientadora que — apesar de estar ciente da dificuldade de chegar até as fontes — abraçou a ideia e me apoiou desde então. Foram quatro meses pesquisando, correndo atrás das fontes, apurando, escrevendo, fotografando, editando, enfim, sendo repórter.

“Encarceradas” foi publicada em dezembro de 2019. Mais do que a primeira parte dos meus trabalhos de conclusão do curso de Jornalismo da Faculdade Ielusc e da nota na disciplina de Projeto Experimental, “Encarceradas” é o trabalho mais importante que eu fiz até aqui. Importante pela urgência em debater o tema mas, também, pela transformação que ele causou em mim.

Conhecer as três personagens foi uma experiência única, que só o jornalismo consegue proporcionar. Elas quebraram preconceitos meus que eu nem sabia que tinha. Me instigaram-me a pensar sobre novas formas de desigualdade e opressão. Por isso, espero que este seja o começo, de muitas reportagens que eu ainda vou escrever.

Produzida por:

Jornalismo, na Faculdade Ielusc, não é a primeira graduação de Catherine Kuehl, antes, fez Comércio Exterior, pela Univille. Ela dá nome para seus cactos, acredita que cheiro de café conforta o coração, gosta de gatos, HQs, bolacha Oreo, Amelie Poulain e de bios com futilidades sobre a vida da pessoa. kuehlcatherine@gmail.com

Orientada por:

Mestre e doutoranda em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, Kérley Winques é gaúcha e torcedora do Grêmio. Nasceu na cidade de Ametista do Sul, no interior do estado e concluiu a graduação em Passo Fundo, na UPF. Ela cultiva plantas e temperos no apartamento, mora em Curitiba e vive na estrada. Do rock ao samba, ela dança e resiste. Da sala de aula à pesquisa, ela ensina e aprende. ker.winques@gmail.com

Agradecimentos

Repórter não é uma função solitária, a reportagem não é construída por apenas um par de mãos. Muitas pessoas foram necessárias para que “Encarceradas” fosse possível. Teve quem ajudou com recurso, outros com conhecimento. Teve quem apoiou com palavras e abraços. Também, teve quem cuidou da minha saúde e da minha alma.

Eu sou profundamente grata por todos que contribuíram. Entretanto, tive aqueles que a ajuda foi decisiva e, por isso, sinto que o agradecimento precisa ser individual.

À Mariana Costa, por me dar seu antigo celular quando eu perdi o meu, por me escutar tantas vezes e sempre repetir que ia dar tempo, por ter comprado o livro “Encarceramento em Massa”, com frete grátis, e não ter me cobrado o atraso em pagar.

Ao Diego Mahs, pelas xícaras de café no Salvador Vegan Café, pela ideia de pauta, pelas caronas até o Presídio Regional de Joinville, por me emprestar o livro “Prisioneiras”, por me fazer companhia quando eu necessitei e por entender as minhas ausências, por ter sido o amigo que eu precisava.

À Marília Comelli, pelos abraços, por me ensinar a usar o Photoshop, por revisar meus textos e me dar conselhos, por ler minhas mensagens de desabafo e respondê-las com palavras gentis.

À Liane Dani, pela conversa que começou como mera procrastinação e acabou sendo essencial para o sucesso da reportagem.

À Jéssica Michels, por ter me apresentado às primeiras fontes da reportagem, me contado um pouco sobre como o presídio funciona e por ter me dado conselhos para conseguir entrar e fazer as entrevistas.

À Arlete, da pastoral carcerária, não só pela indicação de fontes, mas pela ajuda em contatá-las e por ter me concedido uma entrevista, que acabou não sendo citada no texto mas me ajudou a contar as histórias.

À assistente social do presídio, que me respondeu diversas perguntas e me ajudou a falar com o José.

Ao José, por ler o meu projeto e ter acreditado na importância desta reportagem, me dando a liberação para visitar o presídio e entrevistar as mulheres.

Ao Lucas Borba, por ter cedido suas fotos para as colagens.

Ao Gustavo Rieper, por ter programado o site e, assim, ter propiciado que essas histórias ficassem acessíveis na internet.

À professora Kérley Winques, por ter aceitado o convite para ser minha orientadora, por ter me orientado com entusiasmo e afeto, por ter respeitado as minhas limitações e ajudado a superar as minhas dificuldades, por ter sido uma inspiração.

Aos meus pais, por assumirem as mensalidades da faculdade quando meu dinheiro acabou, por terem mudado de ideia e me apoiado na mudança de carreira, por comprarem um notebook depois que o meu estragou e o Matheus pediu o dele de volta, por aceitarem as minhas ausências. Mãe, me desculpa por não ter ido ao teu aniversário. E o mais importante, por colocarem a minha felicidade acima dos seus valores.

Ao Roger Caetano, por cuidar de mim, me lembrar de ir dormir, comprar comida, me fazer companhia, me escutar, por transcrever as entrevistas, revisar os textos, por ser o primeiro a ver as artes, por atender aos meus pedidos de ajuda, por nunca ter duvidado da minha força, mesmo quando eu me senti fraca, por não ter ido embora, mesmo quando eu mandei, por ter me perdoado, mais de uma vez.