ENCARCERADAS

Histórias de mulheres no Presídio Regional de Joinville

E las são 42 mil que, depois da janta, vão se deitar nos presídios e penitenciárias do Brasil. Não apenas dormem, como acordam, trabalham, leem livros, tomam banho de sol, lavam roupas, recebem visitas, riem, choram e sentem saudades. Essas mulheres representam 5,83% da população carcerária brasileira.

Pode parecer pouco em comparação aos homens, mas esse número já foi ainda menor. Elas eram cerca de 5.600, em 2000. Desde lá, a quantidade de presas no país subiu 656%. O crescimento da população masculina não chegou nem na metade disso, 293% — eram 196 mil, em 2000, e agora são 665 mil.

O sistema prisional brasileiro não estava e não está preparado para um crescimento da população feminina nessa proporção, apenas 7% dos estabelecimentos penais são destinados às mulheres. Outros 16% são mistos, com alas e celas divididas por gênero. O resultado são celas superlotadas e falta de estrutura adequada para as necessidades femininas. O Presídio Regional de Joinville é um exemplo.

As presas ficam em uma antiga ala masculina, reformada para recebê-las provisoriamente, até que a penitenciária feminina fique pronta. Com obras atrasadas, a inauguração antes planejada para 2019 foi adiada. Enquanto isso, as mulheres continuam no presídio misto em uma ala improvisada.

“Encarceradas” conta histórias de mulheres que passaram pelo sistema prisional. São relatos sobre o que as levou a condenação, como é o dia a dia no presídio e os desafios de voltar à liberdade. Por entender que as presas e ex-presas são fontes em estado de vulnerabilidade, esta reportagem utiliza de nomes fictícios para protegê-las de possíveis discriminações.